O primeiro-ministro de Portugal reafirmou, no sábado, o compromisso de Portugal em investir 68 milhões de euros na cooperação internacional contra as alterações climáticas.

Na COP28, António Costa garantiu que as ambições portuguesas vão além do acordo de Paris e visam antecipar já em cinco anos a meta da neutralidade carbónica.

Num discurso em que destacou sucessos mas também compromissos o primeiro-ministro falou em acções imediatas para evitar catástrofe climática.

“Queremos acelerar a transição para as energias renováveis”, afirmou Costa. “Até 2030, iremos multiplicar mais de duas vezes e meia a capacidade instalada de renováveis.

Oitenta e cinco por cento da produção de electricidade terá origem em renováveis”.

Nas palavras do ainda chefe do Governo, “a experiência de Portugal testemunha que o combate às alterações climáticas é sobretudo uma oportunidade”, referindo-se ao investimento das energias renováveis como “uma garantia de estabilidade” face ao impacto que a guerra na Ucrânia teve na segurança energética da Europa.

Contudo, António Costa deixou claro que “o investimento em políticas sustentáveis tem um custo significativo e desproporcional nos países em desenvolvimento” e que, por isso, Portugal vai investir mais de 68 milhões de euros na Cooperação Internacional para o Clima.

“Em Junho, assinámos com Cabo Verde, e ontem com São Tomé e Príncipe, compromissos inovadores para a conversão da dívida em financiamento climático”, anunciou, acrescentando que Portugal vai ainda contribuir com cinco milhões de euros para o novo fundo de “perdas e danos” sobre o clima.

O primeiro-ministro sublinhou ainda a importância dos oceanos no combate às alterações climáticas. Nessa área, e classificando como essencial na estratégia portuguesa o nexo clima-Oceano, António Costa lembrou que o país antecipou para 2026 a meta de classificar 30 por cento da área marinha e aprovou, na semana passada, a criação da área marinha protegida do Recife do Algarve.

A propósito da protecção ambiental, o chefe de Governo destacou que Portugal já alcançou o objectivo de garantir protecção legal a 30 por cento do território e reafirmou o empenho numa reforma da floresta que previna incêndios florestais.

“Não há Planeta B”

Defendeu ainda a necessidade de uma acção climática global mais rápida e ambiciosa para “inverter a trajectória que levará o planeta à ruptura” e avisou que “não há humanidade B”.

“Inverter a trajectória que levará o nosso planeta à ruptura exige uma acção mais rápida, mais concreta e mais ambiciosa, como nos pede o Secretário-Geral das Nações Unidas”, afirmou António Costa.

Já em tom de conclusão e lembrando que “não há Planeta B”, o governante português frisou que “o planeta já existia antes da humanidade e, provavelmente, sobreviverá” sem ela.

“O que sabemos é que a humanidade não sobreviverá a si própria e que não há humanidade B. É mesmo por nós, por aqueles que nos sucederão, pelos nossos filhos, os nossos netos, os netos dos nossos netos, que nós temos de agir já e hoje”.

E por isso, reforçou, “Portugal permanecerá um parceiro empenhado nesta transição”. (RM-NM)

Fonte:Rádio Moçambique Online

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