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Ainda não há datas para o início das obras do Corredor Logístico de Macuse, cuja linha férrea irá percorrer cerca de 500 Km entre a vila de Chitima, na província de Tete, e o futuro porto de águas profundas de Macuse, na província da Zambézia.

 

As obras de construção da linha férrea Chitima-Macuse e do porto de águas profundas de Macuse, lembre-se, deviam ter arrancado no primeiro trimestre de 2016 e as infra-estruturas deviam estar operacionais desde 2020. No entanto, nada ainda aconteceu.

 

Na manhã desta quinta-feira, a Thai Moçambique Logística, S.A., concessionária do projecto ferro-portuário de Macuse, disse aos jornalistas que a construção da linha férrea está dependente da conquista de clientes, com realce para as mineradoras e países do hinterland (Zâmbia e Zimbabwe).

 

“Em relação à ferrovia, hoje temos de lidar com uma dimensão mais abrangente do que só para o carvão. Hoje, é um corredor logístico, tem outras implicações, outra complexidade, as circunstâncias mundiais em relação ao carvão têm-nos criado uma necessidade de sermos mais criativos, portanto, terá de ter a participação de outros actores, nomeadamente, as mineradoras e o desenvolvimento do hinterland: Zâmbia e Zimbabwe”, afirmou José Fonseca, membro da Comissão Executiva da Thai Moçambique Logística, sublinhando que, neste tipo de projectos, os clientes são elementos-chave para o sucesso.

 

“Estamos a sensibilizar as companhias mineradoras para abraçarem este projecto, porque são âncora no desenvolvimento económico do corredor e o mercado do carvão está a ser bastante favorável, neste momento”, acrescentou, revelando que está em curso o censo definitivo para apurar o número real de famílias abrangidas pela ferrovia.

 

Quanto ao porto de águas profundas, a ser construído em Macuse, na província da Zambézia, o cenário é diferente. As obras arrancam assim que terminar o processo de reassentamento das famílias afectadas, cujas previsões apontam para o mês de Agosto de2023.

 

“A obra de infra-estrutura do porto era prioritária porque está ligada a um processo de financiamento mais acelerado. Já tivemos aprovação do Banco de Moçambique, já tivemos aprovação das entidades públicas e, portanto, vamos avançar com a operação do porto”, garantiu Fonseca, revelando que as obras irão durar 36 meses.

 

José Fonseca, que representa a empresa tailandesa Italian-Thai Development, que detém 60% das acções na Thai Moçambique Logística, explicou ainda que, no caso do Porto de Macuse, já há um memorando de entendimento celebrado entre a concessionária e a Portucel Moçambique para o desenvolvimento da floresta e utilização da infra-estrutura para o escoamento dos produtos da região.

 

Confrontado com as informações veiculadas pela STV, segundo as quais a empresa tailandesa Italian-Thai Development estava de saída do projecto, Fonseca respondeu: “Em nome da Italian-Thai Development, posso reafirmar que, conjuntamente com a TML [Thai Moçambique Logística], estamos totalmente empenhados no sucesso deste projecto e estamos a fazer tudo que está ao nosso alcance para concretizar o desenvolvimento deste projecto ferro-portuário, que é de extrema importância para Moçambique”.

 

Citando o jurista Abdul Carimo, membro da CODIZA (Corredor de Desenvolvimento Integrado da Zambézia), um dos accionistas da TML, a STV relata que o grupo tailandês já não quer continuar com o projecto ferro-portuário, havendo já interesses por parte de investidores indianos, porém, “o problema está nos valores a discutir, quanto é que os indianos podem pagar aos tailandeses”.

 

Segundo Fonseca, o grupo tailandês continua comprometido com o projecto, liderando ainda os aspectos técnicos e financeiros. Disse, por exemplo, que as obras de reassentamento, actualmente em curso na comunidade de Sopinho, no Município de Quelimane, província da Zambézia, estão sendo asseguradas pelo grupo tailandês, num orçamento aproximado de 20 milhões de USD.

 

As obras, sublinhe-se, comportam a construção de cerca de 90 casas do “Tipo 3”, uma escola, um centro de saúde, uma maternidade, um mercado, uma esquadra de Polícia, um sistema de abastecimento de água, dois complexos desportivos (um coberto) e reabilitação de estrada entre Sopinho e Zalala e de três pontes na mesma via.

 

“Desde 2014 até hoje, a Italian-Thai Development tem financiado o projecto, no que diz respeito à sua viabilidade técnica e económica. Estão reunidas as condições para se levar o projecto a bom termo, apesar das dificuldades que surgiram pelo caminho”, sublinha a fonte.

 

Refira-se que a Thai Moçambique Logística é uma parceria público-privada, constituída pelos Caminhos de Ferro de Moçambique (20%), pelo Corredor de Desenvolvimento Integrado da Zambézia (20%) e pela tailandesa Italian-Thai Development Company (60%).

 

O projecto ferro-portuário de Macuse está orçado em aproximadamente 2.7 mil milhões de USD e encontra-se atrasado há seis anos. (A. Maolela)

 

Fonte: Carta de Moçambique

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