QUINZE meses é o tempo que o jovem Alberto Paulo permaneceu detido na unidade penitenciária da Machava, província de Maputo, acusado de roubar um celular. Ele viria a beneficiar do indulto decretado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, no ano passado.

Alberto Paulo disse que “eu estive no lugar errado e na hora errada, por isso terminei na cadeia. Um lugar para o qual nunca mais quero voltar”, declarou bastante arrependido e frustrado,porque se considera inocente da acusação que o levou à reclusão, mas se conformou a cumprir a pena.

Antes da condenação, ficou sete meses em prisão preventiva, à espera do julgamento, do qual foi sentenciado a ficar dois anos na cadeia. No entanto, não chegou a cumprir na totalidade a pena porque fez parte dos mais de mil reclusos que beneficiaram do indulto operacionalizado nos finais de 2020.

Residente no bairro do Chamanculo, na cidade de Maputo, aceitou partilhar os tristes momentos passados no período em que esteve privado da liberdade. Contou que, quando soube que sairia da cadeia, ficou muito feliz, mas teve um momento de reflexão sobre como iria se inserir no bairro e na sociedade em geral.

Finalmente, chegou à casa, mas sempre que der uma curta passeata pelo bairro, as pessoas olham-no com ar acusador e de desprezo. Contou que outros apontam-no como se de um criminoso se tratasse.

Por causa dessa situação, Alberto Paulo decidiu ficar mais tempo em casa e só sair quando vai ao encontro do seu único amigo, António Fernando.

“Eu sinto-memal quando estou na rua, porque me tratam como ladrão, o quenão sou. Eu manchei a imagem da minha família e envergonhei, principalmente, a minha mãe eomeu irmão mais velho. Quero recompor-mepara lavar a imagem da família e dar uma vida melhor à minha mãe”, disse o jovem, com lágrimas de arrependimento no rosto.

Apesar de não se sentir tão bem acolhido no bairro, sente o aconchego dos familiares que, diariamente, incentivam-no a seguir em frente e a lutar para realizar os seus sonhos.

“A minha família tem-me ajudado e incentivado muito. Sinto-meamado por todos e bem acolhido. Agora, o que mais quero é conseguir um emprego para reiniciar a minha vida”, disse. Leia mais

Fonte:Jornal Notícias

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