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A petrolífera francesa, líder do projecto da Área 1 no norte do país, suspendeu o projecto de gás natural na instalação perto de Palma em Cabo Delgado, a 24 de Março de 2021, dia em que a vila foi atacada pelos terroristas, e um mês depois anunciou a suspensão de todo o projecto por força maior.

 

Estimado em mais de 20 mil milhões de dólares norte-americanos, o mega-projecto de extracção de gás da Total é o maior investimento privado em curso em África, suportado por diversas instituições financeiras internacionais e prevê a construção de unidades industriais e uma nova cidade entre Palma e a península de Afungi. Espera-se que o projecto entre em operação em 2026.

 

Entretanto, o Presidente Filipe Nyusi diz que não entende porque alguns projectos ainda não retornaram a Cabo Delgado. Nyusi falava semana finda, durante a Reunião de Negócios da Agenda Africana da Comunidade dos Presidentes dos Conselhos da Administração e Directores Executivos.

 

Afirmou ter informações de que algumas empresas estão a voltar à província de Cabo Delgado, mas a TotalEnergies ainda não se pronunciou sobre a data de regresso a Afungi, depois que suspendeu as actividades do projecto por força maior, logo após o ataque à vila de Palma.

 

A força conjunta Moçambique, Ruanda e SADC tem estado a registar avanços no Teatro Operacional Norte, onde combate o terrorismo. “Falei com o presidente ruandês, Paul Kagame, para perguntar porque a Total não volta, uma vez que a situação já está calma”, disse Filipe Nyusi.

 

Entretanto, mesmo com a falta de clareza sobre a data de regresso da TotalEnergies a Afungi, a África continua o centro da estratégia global do Grupo, operando nalguns casos em áreas consideradas de conflito. A produção concentra-se maioritariamente no Golfo da Guiné e no Norte de África, sendo de destacar Angola, Nigéria, Congo e Gabão.

 

O Golfo da Guiné possui um enorme potencial de exploração de recursos naturais. As amplas reservas de hidrocarbonetos têm atraído a atenção de diversos países e a crescente importância de sua posição geoestratégica para o comércio mundial foram fundamentais para que houvesse uma alteração na questão de segurança no contexto africano.

 

Nesse sentido, a partir de meados dos anos 2000, não apenas os países da região têm se preocupado com a questão de segurança do Golfo e também do Atlântico Sul, mas outros importantes actores internacionais têm se envolvido nessa questão, como a criação do Comando dos Estados Unidos da América (EUA) para a África (AFRICOM) e a reactivação da Quarta Frota pelos EUA, em 2008.

 

Os países que compõem a região conhecida como Golfo da Guiné são: Senegal, Gâmbia, Guiné-Bissau, Guiné, Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Gana, Togo, Benim, Nigéria, Camarões, Guiné Equatorial, Gabão, Congo; República Democrática do Congo e Angola.

 

A TotalEnergies está presente no continente africano há mais de 90 anos e hoje opera em 43 países com quase 13 mil colaboradores. África representa cerca de 30% produção da empresa e 30% dos investimentos. Com 4.700 postos de serviço, 17% de participação de mercado e 4 milhões de clientes, a TotalEnergies é a principal distribuidora de derivados de petróleo no continente.

 

Também realiza um programa de energia solar em 38 países e cinco parques solares em exploração, dos quais dois no Egipto e os restantes no Burkina Faso, Uganda e África do Sul.

 

A TotalEnergies é um grupo empresarial do sector petroquímico e energético com sede mundial em Paris. A empresa está presente em mais de 130 países, empregando 100 000 pessoas. (Carta)

Fonte: Carta de Moçambique

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