Por: Belchior Eduardo

 

– Alguém ajude-me aqui, o computador desligou-se. Suplicou Zezinho com uma voz ensurdecedora.

– Tire-o da tomada e volte a colocar e faz um restart. Uma voz o respondeu.

Tendo feito, Zezinho estava nervoso, empolgado e revestido de ansiedade para uma mudança de vida repentina. Suava, reparava os cantos e, frequentemente, pegava na sua cabeça e nos seus cabelos crespos. O computador ali abriu. Conectou à internet e foi ao gmail verificar uma nova mensagem na sua caixa de entrada.

– Conservei o dinheiro no banco de Gana, onde tenho um amigo disposto a ajudar em tudo que for necessário para o desembolso do valor. Respondeu a TT do outro lado.

– A política bancária e monetária, no meu país, não facilita ao pacato povo, somos extorquidos até mesmo pelos bancos. Zezinho Respondeu.

Naquele mesmo instante, falou um silêncio entre ambos e, pouco tempo depois, TT respondeu:

– Tenho consciência disso, da vossa política monetária e bancária em África, faremos tudo em parte.

Dito aquilo, apareceu-lhe Zezinho uma pergunta que pudesse ter feito já há muito tempo.

– Quanto é o valor mesmo no qual te referes?

Cerca de 5 minutos sem resposta da TT e eis que naquele mesmo instante respondeu:

– São 12 milhões de dólares norte americanos.

Zezinho ficou boquiaberto por uns mais de 10 minutos.

Parece irrisório esse valor, quando se trata para construção de infra-estruturas sociais, implementação de programas virados a mulheres e idosos, crianças órfãs e outras camadas “frágeis” da sociedade, mas, para mim, 40% desse valor nos meus bolsos mudariam completamente a minha vida, não precisarei acordar muito cedo neste inverno de arrepiar para ir trabalhar – Pensou Zezinho.

Zezinho acedeu à proposta irrecusável daquelas, enviou em dois dias os seus dados ao correio electrónico de TT e garantiram-no que o valor reflectiria em sua conta em 73 horas. Assim, esperou.

Um banco comercial ligou ao Zezinho dizendo-o que o valor correspondente a 12 milhões reflectiu na sua conta, transferido de um banco de Gana. A satisfação foi tanta.

Naquele dia, pegou no sono de tanto pensar numa imaginação da maionese na sua futura vida brilhante. Avisou a TT que recebeu o valor.

No dia seguinte, ouviu a sua porta numa licença ameaçadora de quem talvez estivesse nervoso, e meio preocupado, Zezinho foi e abriu:

– Bom dia, desculpa pelo procedimento e por interromper o seu sono.

A surpresa de Zezinho tomou conta dele, vendo naquele momento quem estava a falar consigo: a polícia.

– Está preso por fraude monetária, tráfico de armas de fogo, falsificação monetária e atentado à humanidade.

Zezinho ficou imóvel sem nada puder fazer.

 

 

Fonte:O País

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